SiteGround migra infraestrutura para Google Cloud: veja o que mudou

SiteGround migra infraestrutura para Google Cloud

A SiteGround é uma das empresa de hospedagem que mais tem se reinventado nos últimos tempos. Uma das mudanças mais significativas ocorreu em 2019, quando a empresa tomou a decisão de trocar seu painel de controle — o famoso cPanel, por um painel próprio, como compartilhamos aqui no blog

Em fevereiro deste ano, no entanto, a SiteGround deu mais um passo ousado ao migrar parte da sua infraestrutura para a plataforma Google Cloud. O anúncio foi feito no blog da empresa, pelo próprio CEO, e teve uma grande repercussão entre clientes. 

Ainda que ambas as mudanças não tenham agradado a todos, a SiteGround parece estar certa de que as suas decisões são positivas para a experiência do cliente. De fato, este é um dos diferenciais da empresa e faz com que ela seja uma das hospedagens WordPress que mais recomendamos.

Mas afinal, essa mudança para a Google Cloud foi positiva? Na prática, o que mudou para o cliente? Como está sendo o desempenho na nova infraestrutura?

Para responder essas e outras perguntas, decidimos acompanhar o processo e compartilhar aqui as etapas e os resultados da migração da hospedagem da SiteGround para a Google Cloud Platform.

O que disse o anúncio da SiteGround

No dia 12 de fevereiro deste ano, o CEO da SiteGround, Tenko Nikolov, anunciou que a empresa havia começado a usar a plataforma Google Cloud para hospedar parte da sua infraestrutura. O anúncio foi feito no blog da empresa e está disponível neste link (em inglês).

Post publicado no blog da SiteGround em 12/02/2020 - fonte: blog SiteGround
Post publicado no blog da SiteGround em 12/02/2020 – fonte: blog SiteGround

No post, Nikolov afirma que a empresa está constantemente à procura de novas opções de data center, visando oferecer tecnologias de ponta e o mais alto nível de velocidade e confiabilidade, em localizações geográficas convenientes para os clientes. Segundo ele, ao longo de 2019 a SiteGround testou os maiores provedores de Cloud do mundo, e o serviço de nuvem da Google foi o que melhor se encaixou.

O texto também informa que as primeiras localizações da Google Cloud já estão em utilização pela empresa. São elas: Iowa, EUA; Eemshaven, Países Baixos (Holanda); Londres, Reino Unido; e Cingapura. Os novos clientes já estariam sendo ativados nessas localizações e alguns clientes existentes nos EUA e na Europa começariam a ser migrados.

Vantagens da Google Cloud, segundo a SiteGround

No anúncio publicado, a empresa lista as vantagens que consideraram ao optar pela Google Cloud como provedora da infraestrutura. Veja abaixo quais foram essas vantagens, segundo a SiteGround:

Facilidade de escalonamento e gerenciamento de recursos

Durante 15 anos a plataforma de hospedagem da SiteGround utilizou servidores físicos individuais (bare metal↗), minimizando os riscos de indisponibilidade através de redundância de equipamentos e recursos, manutenção de backups e otimização nos processos de recuperação.

Com o ambiente da Google Cloud, a infraestrutura é construída em cima de máquinas virtuais, em vez de servidores bare metal. Criar uma nova máquina virtual é um processo mais rápido e eficiente. Escalar recursos como CPU, memória RAM e armazenamento é muito mais fácil. Isso permite que a empresa atinja seus resultados com menor investimento em recursos ociosos e em sobrecarga no gerenciamento.

Armazenamento distribuído para alta redundância de dados

Outra vantagem do setup na nuvem é o armazenamento distribuído. A SiteGround utiliza discos permanentes (também chamados de persistentes) SSD da Google com múltiplas redundâncias. Isso significa que os dados dos websites dos clientes não são armazenados em uma única máquina física e não são perdidos se o hardware da máquina falhar. Com um setup na nuvem, no caso raro de um servidor de hospedagem falhar, é possível usar uma nova máquina virtual e apenas anexar o volume (disco permanente SSD) na nova instância, em substituição ao que falhou, sem perder tempo com a recuperação de backups.

Rede de ponta para sites mais rápidos

A Google é conhecida por manter uma das redes mais rápidas e poderosas, o que significa que o uso do serviço deles irá resultar em alta velocidade para os sites dos clientes da SiteGround. A empresa enxerga isso como uma grande vantagem, já que em geral os problemas de conectividade de rede estão entre as razões mais comuns para downtime de servidores. Como o uso da rede do Google esse risco é mitigado.

Múltiplas oportunidades para novas localizações de data center

Trabalhar com a Google Cloud permite que a empresa adicione com rapidez novas localizações fora das regiões onde opera atualmente. A SiteGround iniciou com as regiões onde a maioria dos clientes estão hospedados — EUA e Europa continental.

Nota: em comentários no blog, a empresa afirmou que irá lançar de 2 a 3 novas regiões em breve, mas não especificou quais serão, nem deu uma data estimada. Em uma dessas respostas (traduzida do inglês, na imagem abaixo), eles disseram: “No momento, estamos examinando um número limitado de novas localizações para lançar na plataforma do Google, uma vez que não podemos lançar o serviço simultaneamente em todos os países em que o Google tem presença. Em breve, você saberá quais serão essas 2 ou 3 próximas localizações :)”.

Comentário sobre o lançamento de novas regiões na Google Cloud - fonte: blog SiteGround
Comentário sobre o lançamento de novas regiões na Google Cloud – fonte: blog SiteGround

100% de compensação com energia renovável

Outra vantagem importante na escolha dessa Cloud é o compromisso mútuo das empresas com a sustentabilidade. A Google compensa 100% da energia consumida pelas suas operações globais com energia renovável e mantém seu compromisso com a neutralidade de carbono (esta página da Google Data centers traz mais informações). A Google também tem liderado em eficiência energética com suas conquistas na redução de emissões de data centers, melhorando a eficiência da entrega de dados e armazenamento, e reduzindo o desperdício.

Repercussão dos clientes

Embora muitos clientes tenham elogiado a decisão da empresa de migrar para a Google Cloud — que também considero um movimento positivo —, não houve unanimidade.

A escolha desagradou uma parcela de clientes, que se sentiram desprotegidos por terem seus dados em servidores da Google — o movimento de “boicote” à Google tem crescido à medida que a empresa enfrenta questões acerca de suas práticas. Eles também se sentiram prejudicados, pois foram avisados somente depois que a migração já tinha acontecido, não restando a eles a possibilidade de buscar uma alternativa.

A SiteGround se desculpou publicamente pelo aviso tardio, mas reiterou que a empresa continua sendo responsável pela segurança e integridade dos dados dos clientes, como também é a única com acesso (admin) aos seus servidores.

Exemplo de comentário negativo acerca da mudança para a Google Cloud - fonte: blog SiteGround
Exemplo de comentário negativo acerca da mudança para a Google Cloud – fonte: blog SiteGround

O que mudou (e o que não mudou) na prática

Depois da notícia, naturalmente surgiram dúvidas sobre os impactos dessa mudança para quem é (ou deseja ser) cliente da SiteGround. Para facilitar essa compreensão, listei abaixo um resumão sobre o que mudou e o que permanece inalterado para quem hospeda na SiteGround.

O que mudou

  • Infraestrutura – a infraestrutura de data center da SiteGround passa a ser fornecida pela plataforma Google Cloud. Antes, a SiteGround colocava seu software para rodar em servidores físicos individuais, agora o faz em máquinas virtuais, configuradas na nuvem.
  • Planos de hospedagem – a mudança foi aplicada em todos os planos de hospedagem da SiteGround, tanto de servidores compartilhados (shared) quanto de Cloud.
  • Migração do painel de controleo processo de migração do cPanel para o Site Tools teve seu ritmo reduzido em função da migração para o Google Cloud. A empresa afirmou, porém, que estão retomando o processo (de fato, recebemos um email em 01/04, informando sobre o agendamento da migração do painel de cliente e do painel de controle).
E-mail sobre o agendamento da migração do painel de controle e de cliente
E-mail sobre o agendamento da migração do painel de controle e de cliente

O que não mudou (ainda)

  • Serviço – O serviço continua sendo fornecido pela SiteGround. A Google fornece apenas a infraestrutura.
  • Preços – não haverá mudança de preços em virtude da migração de infraestrutura, segundo a empresa.
  • Localização dos servidores – os clientes atuais da SiteGround foram mantidos nas mesmas regiões em que estavam hospedados. Já os novos clientes podem escolher o data center durante o processo de contratação. Até o momento, não foram lançadas novas regiões, embora estejam previstas 2 a 3 novas localizações em breve. Ainda não se sabe se o Brasil será selecionado no futuro, mas é uma possibilidade, já que a Google Cloud possui data center no país.
  • Escalabilidade – apesar de estarem usando uma Cloud, os planos compartilhados e todo o setup do servidor foram mantidos. Portanto, em termos de escalabilidade, o cliente final não se aproveita por estar em uma Cloud (não é possível comprar recursos adicionais sem fazer upgrade de plano, por exemplo).
  • Servidores dedicados – neste primeiro momento, os servidores dedicados não serão migrados para a Google Cloud.
  • Segurança dos dados – a SiteGround continua sendo responsável pela segurança e confidencialidade dos dados dos seus clientes. O Google não tem acesso admin às máquinas e tampouco tem autorização para coletar, compartilhar, usar, gerenciar ou fazer qualquer coisa com os dados dos clientes.
  • CDN e DNS – A empresa informou que não está usando a CDN e o DNS da Google, pois optaram por serviços alternativos. A integração com o Cloudflare, por exemplo, foi mantida.

Qual seria então a diferença entre hospedar na SiteGround ou diretamente na Google Cloud?

Você pode estar se fazendo essa pergunta, afinal, a Google Cloud oferece seus serviços diretamente para clientes. A resposta é que são serviços bastante distintos. O serviço da Google Cloud não foi criado para atender às necessidades dos usuários finais comuns. Com isso quero dizer, empreendedores, profissionais liberais, autônomos, blogueiros e tantas outras ocupações não técnicas.

Ao contratar a Google Cloud diretamente, há um trabalho de administração de servidor que precisa ser feito pelo contratante, tornando essa solução inadequada em diversos casos. Uma empresa como a SiteGround preenche essa lacuna ao configurar e administrar o servidor e disponibilizar as interfaces ao usuário (como um painel de controle amigável, por exemplo). É um serviço adicionado à infraestrutura do Google.

É verdade que essa modalidade não conta com a mesma escalabilidade de hospedar diretamente em uma solução Cloud. Por outro lado, também não se lida com a mesma complexidade e se tem ao final uma solução estável e confiável. Isso sem contar o suporte técnico presente para quaisquer dúvidas, até mesmo as mais simples.

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O processo de migração

Como qualquer cliente, acredito que a principal dúvida que surja em um processo de migração de infraestrutura é como será a disponibilidade e performance do novo data center. Mesmo que a mudança tenha sido para uma das melhores provedoras de cloud do mundo, como a Google Cloud.

Para testar o resultado dessa mudança, decidimos acompanhar o processo e monitorar o desempenho do servidor nos 30 dias seguintes à migração de data center, para então comparar as possíveis diferenças.

Recapitulando, em 12 de fevereiro recebemos o aviso de que a SiteGround havia migrado para a infraestrutura da Google Cloud, através da postagem no blog da empresa. Quase 20 dias depois, em 02 de março, recebemos um e-mail da SiteGround informando que a conta havia sido migrada com sucesso e dando orientações sobre como proceder em casos específicos. Na prática, houve apenas a mudança do IP do servidor. Como o site que temos hospedado com eles não usa diretamente o IP, não foi necessário realizar nenhuma alteração da nossa parte.

E-mail da SiteGround informando que a conta foi migrada com sucesso
E-mail da SiteGround informando que a conta foi migrada com sucesso

Performance e disponibilidade antes da migração

A SiteGround é monitorada há anos por nós e raríssimos foram os momentos em que ela não apresentou 100% de disponibilidade (uptime). O desempenho também sempre esteve entre os melhores, comparado às empresas concorrentes.

Para efeito de comparação, abaixo estão os resultados do monitoramento, feito nos 12 meses anteriores ao da migração de data center. Como podemos ver, o uptime no período foi de 100% e o tempo médio de resposta foi de 432 ms. Apenas a título de informação, os servidores primários do Uptime Robot (ferramenta usada neste monitoramento) estão localizados em Dallas (Texas – EUA). Já o data center da SiteGround — utilizado em todo o período antes da migração — fica em Chicago, também nos EUA.

Monitoramento do servidor da SiteGround antes da migração - 01/03/2019 a 29/02/2020
Monitoramento do servidor da SiteGround antes da migração – 01/03/2019 a 29/02/2020

Aproveitando o assunto, recomendamos fortemente que monitore o uptime da sua hospedagem. Ao fazer isso, além de acompanhar o desempenho do servidor, o usuário é informado caso haja alguma indisponibilidade. Para configurar o monitoramento do seu site, confira este nosso artigo que ensina o passo a passo, usando uma ferramenta gratuita.

Impactos durante a migração

A migração foi realizada no dia 02 de março, conforme informado pela SiteGround. De fato, nesse dia o servidor ficou indisponível por 30 minutos, de 06h01 às 06h31 (horário de São Paulo), como mostra a tela abaixo de monitoramento.

Monitoramento do servidor da SiteGround durante a migração - UptimeRobot
Monitoramento do servidor da SiteGround durante a migração – UptimeRobot

Por ela também pode-se observar um pequeno aumento no tempo de resposta nos dias posteriores à migração. O período considerado no levantamento foi um pouco maior, de 2 meses, para que fosse possível perceber a tendência no tempo de resposta. Sendo assim, o uptime de 99,965% refere-se a esse período. Se o período analisado fosse de 1 mês, o uptime teria sido de 99,932%.

Vale mencionar que o site monitorado foi migrado para um data center da Google Cloud também localizado em Chicago/EUA, ou seja, não houve mudança de região.

Ao serem questionados por um cliente que observou aumento no tempo de resposta, a empresa informou: “a migração de servidor é um processo complicado e que requer tarefas adicionais que precisam ser concluídas, como sincronizar backups etc. Isso pode causar um aumento temporário no carregamento do servidor logo após a migração. Por favor, dê-nos um ou dois dias, assim que todos os scripts pós-migração estiverem concluídos, seus sites ficarão rápidos como nunca!”.

Comentário sobre o possível aumento no tempo de resposta - fonte: blog SiteGround
Comentário sobre o possível aumento no tempo de resposta – fonte: blog SiteGround

Resultados nos 30 dias após a migração

Faz um pouco mais de 30 dias desde que a hospedagem da SiteGround está rodando na infraestrutura da Google Cloud, mas já dá para ter uma ideia de como está sendo a performance e disponibilidade nesse novo ambiente.

Como podemos ver na imagem abaixo, a disponibilidade da hospedagem que monitoramos segue em 100% ao longo dos trinta dias corridos desde a migração de servidor (03/03 a 02/04/2020). O tempo médio de resposta (559 ms) está ligeiramente superior ao registrado antes da migração, embora tudo tenha sido mantido, incluindo a localização do servidor, em Chicago, nos EUA.

Monitoramento do servidor da SiteGround depois da migração - UptimeRobot
Monitoramento do servidor da SiteGround depois da migração – UptimeRobot

Atualização: entramos em contato com o suporte da SiteGround (via ticket), questionando sobre a diferença. Recebemos o primeiro retorno em poucos minutos, informando que precisariam investigar o problema e retornariam o mais breve possível. Quatro horas depois retornaram com a mensagem abaixo (adaptada para o português):

“O fato é que o tempo para o primeiro byte pode variar por diversos fatores. Interferência de conectividade, carga do servidor no momento do teste etc. Se você está notando um aumento geral no seu TTFB (time to first byte ou tempo para o primeiro byte) – aqui estão algumas coisas para considerar:

A conta foi migrada recentemente para a plataforma Google Cloud e as coisas ainda estão sendo resolvidas – backups estão sendo gerados, a carga está sendo distribuída etc.

A migração para a Google Cloud coincidiu com a lamentável propagação da pandemia da Covid-19, que também teve seu efeito. Globalmente, todas as redes estão significativamente mais sobrecarregadas neste momento.

Contudo, a situação tende a melhorar com o passar do tempo.”

De fato pode ser uma questão temporária e de ajustes por parte da empresa. Ainda assim, a diferença é pequena. E mesmo nesse patamar, a SiteGround continua tendo um dos menores tempos de resposta entre as hospedagens compartilhadas. Lembrando que esse dado é medido a partir dos EUA. Se fosse a partir do Brasil, esse tempo seria superior, pois estamos mais distantes do data center. Isso vale para todas as hospedagens com servidor fora do país.

Afinal, a migração da SiteGround para a Google Cloud foi boa?

Ainda que a mudança tenha dividido opiniões, penso que a migração de infraestrutura para uma plataforma Cloud foi um movimento certeiro da SiteGround, considerando todas as vantagens que esse tipo de solução oferece. Ainda mais em uma plataforma de ponta como a da Google.

Somado a isso, é interessante notar que mais do que uma empresa de hospedagem, a SiteGround se posiciona como uma provedora de serviço. E isso faz (e continuará fazendo) toda a diferença na experiência do cliente. Não é a toa que ela é recomendada pelo próprio WordPress.org.

E você, é cliente da SiteGround? Se sim, compartilha com a gente quais foram as suas impressões sobre a mudança. Se ainda não é, recomendo conhecê-la, principalmente se você busca uma hospedagem com ótima disponibilidade e performance, excelente suporte técnico e preço justo (e não tem problema com o inglês). A SiteGround tem planos de hospedagem a partir de US$ 3,95 por mês no primeiro ano. Confira nosso review sobre a SiteGround ou visite o site da empresa!

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Trabalha com Internet desde 2002, época em que os sites ainda engatinhavam no Brasil. Formada em marketing há quase 20 anos e com especialização em gestão empresarial pela FGV, sempre esteve envolvida em projetos digitais, nas pequenas e grandes empresas onde trabalhou. É apaixonada pelas possibilidades que a Internet oferece e adora experimentar novas ferramentas que auxiliem pessoas a criar sites por conta própria. Empreendedora digital desde 2015, se dedica a compartilhar conhecimento sobre criação e hospedagem de sites, como cofundadora e autora do Tudo sobre Hospedagem de Sites.

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