Conheça o que é IPv6 e os seus principais benefícios

O que é IPv6

Todos nós sabemos que, quando registramos uma nova carteira de identidade, ganhamos também um número chamado Registro Geral, o RG. Este número é muito importante pois, dentre outras funções, ele facilita o reconhecimento por parte de instâncias legais, jurídicas e de fiscalização para saber rapidamente quem somos.

Acredite, isto não é muito diferente quando trazemos para o mundo digital.

No mundo dos computadores, este registro muda só a sigla, mas o sentido é o mesmo: o IP, este “registro geral” dos PCs, é a identificação da máquina perante à rede onde está conectada (podendo ser local ou pública). Isto quer dizer que cada computador conectado à uma rede possui um IP único.

Logicamente, todos nós sabemos que, para um melhor uso destes endereços, utiliza-se a forma de domínio, tal como “tudosobrehospedagem.com.br”. Ou seja, nomeamos este número que não parece muito amigável ao primeiro olhar.

Desta forma, cada endereço de domínio é convertido em endereço IP através do DNS (Domain Name System), por um método chamado “resolução de nomes”.

Imagina quantos IPs não devem existir no mundo inteiro, não é mesmo?

Com este crescimento, é óbvio que a própria definição de IP para as máquinas necessitou evoluir. E é exatamente disto que falaremos neste post: o que é o IPv6, quais seus benefícios e diferenças entre esta última versão e a mais propagada até o momento, o IPv4.

Nova geração de protocolo

Se o IP é único, e é só um número, então por que precisou evoluir?

A cada computador que for conectado na rede não vai ser gerado um número único?

Pois é.

Este é exatamente o principal problema enfrentado hoje.

O endereço IP na versão atual (IPv4), se for trabalhar na definição técnica, é um número de 32 bits escrito com quatro bytes representados no formato decimal como, por exemplo, “192.168.1.2”. Se você é um desenvolvedor ou técnico em redes, com certeza já viu este número inúmeras vezes.

A questão aqui é basicamente que o IPv4 tem uma limitação de 4.294.967.296 bilhões de endereços IP. Isto quer dizer que chegamos à crise atual e o principal problema enfrentado por esta versão: o esgotamento de números únicos!

Para quem lembra, algo muito parecido ocorreu no Youtube 3 anos atrás: a viralização da música “Gangnam Style”, do cantor sul-coreano Psy, foi tão grande e inesperada que quebrou o algoritmo de contagem de visualizações do Youtube, que era formatado em 32 bits. Para quem não lembra, relembre aqui.

Este esgotamento de endereços do IPv4 ocorre principalmente porque, quando foram criados estes protocolos, a internet não tinha a intenção de ser explorada comercialmente.

E aí surge um novo esforço por parte dos provedores de internet e agências reguladoras: como disponibilizar mais IPs em uma internet que cresce a cada minuto?

Qual a vantagem de utilizar o IPv6?

Esta discussão sobre a evolução do protocolo IP, acredite, é antiga. Em 1993 já acreditava-se que o espaço de endereçamento da internet poderia se esgotar em 2 ou 3 anos.

Mas, após algumas implementações de novas versões sem sucesso, em 6 de junho de 2012 oficialmente foi lançada a nova versão do IP: o IPv6. Este trabalho é fruto do esforço da organização não-lucrativa IETF (Internet Engineering Task Force) para criar a “nova geração do IP” (IPng: Internet Protocol next generation).

Esta novidade não foi só criada para resolver problemas da quantidade de endereços disponíveis, mas também para oferecer novos serviços e benefícios que não existiam no IPv4 ou que não eram utilizados de forma otimizada.

Diferentemente da última versão, o IPv6 é formado por um endereçamento de 128 bits (4 vezes mais bits que o IPv4).

Por definição técnica, os endereços IPv6 são normalmente escritos como oito grupos de 4 dígitos hexadecimais.

Veja um exemplo abaixo:

2001:0db8:85a3:08d3:1319:8a2e:0370:7344

Este número bem maior permite que, usuários de qualquer tipo, tenham disponível de seus provedores quantidade suficiente de IPs para configurar aproximadamente 65 mil redes, cada uma com 2 na 64ª potência de endereços (18 quintilhões). A capacidade total do endereçamento é de 2 na 128ª potência.

Só para se ter uma ideia, este valor representa aproximadamente 79 octilhões (7,9×1028) de vezes a quantidade de endereços IPv4. No total, a disponibilidade será de 340,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000,000!

Ou seja, é endereço que não falta mais!

Mas você pode perguntar, ok, entendo que esta atualização é principalmente motivada para aumentar a capacidade de endereços na internet, no entanto, qual a vantagem de utilizar o IPv6?

Esta é uma questão interessante e que pode causar algumas confusões.

Como se sabe, a transição para IPv6 está atrasada. O único país que curiosamente desponta no ranking de adoção é o Brasil, que, segundo o Google, chega a 20% de adoção! Parabéns para nós.

Inclusive o Google disponibilizou uma atualização em tempo real da adoção do IPv6, que você pode conferir aqui e no mapa abaixo:

Mapa IPv6 Google

No entanto, no âmbito global, a baixa adoção gerou uma pressão para os provedores de acesso que, em determinado momento, já não tinham mais endereços livres IPv4 para conectar novos usuários à internet. Por isso, eles começaram já a utilizar a última versão, no entanto, a adoção dela por parte dos sites acessados era muito pequena.

Desta forma, os provedores de acesso (ou seja, quem oferece banda larga para você ou sua empresa) tiveram que recorrer à outra estratégia para manter a disponibilidade de acesso aos sites que não forneciam este suporte: utilizar uma tecnologia chamada CGNAT. Uma espécie de “adaptação”, vamos dizer assim, que permite compartilhar o mesmo IPv4 para vários clientes da provedora.

O problema disso é que o CGNAT pode, por causa do compartilhamento, em tese, diminuir a performance de acesso ao site. Portanto, um usuário que acaba utilizando esta tecnologia poderia notar alguma diferença na velocidade de conexão com o serviço. Em tese, se este já fornecesse o endereço IPv6, o usuário poderia acessar de forma direta, aumentando a performance de acesso e melhorando a percepção de qualidade para ele. No entanto, é importante destacar que esta qualidade depende de cada provedor e de como isto é gerenciado pela empresa.

Portanto, respondendo à pergunta: o principal benefício, além de garantir a disponibilidade do endereço, de adotar o IPv6 neste momento é a aumentar a percepção de performance e velocidade para quem acessa seu site, o que pode ser interessante para quem realmente tem um negócio que depende deste nível de qualidade de conexão.

Qual o status atual do IPv4?

Segundo o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), através da comunicação do site, a recomendação é que “a médio prazo, o caminho da internet é sair do IPv4 e ir para o IPv6. Já a longo prazo é abandonar o IPv4 completamente. A curto prazo a gente ainda tem essa convivência dos dois protocolos durante algum tempo”.

Então a previsão é que esta mudança ocorra de forma gradual. Na tabela abaixo, você pode encontrar o status por cada região em que os IPs são distribuídos:

RegiãoStatus
Estoque Central (IANA)Esgotado em 2011
Ásia/Pacifico (APINIC)Esgotado em 2011
Europa (RIPE)Esgotado em 2012
América do Norte (ARIN)Esgotado em 2015
América Latina (LACNIC)Esgotado em 2014
África (AFRINIC)Previsão de esgotamento em 2019

Fontes: https://www.google.com/intl/pt-BR/ipv6/ e http://ipv6.nic.br/post/enderecamento/

Caso deseje mais informações relativas à adoção do IPv6 no Brasil, a própria NIC.br criou site para reunir o máximo de informações relacionadas à isto. Acesse em: http://ipv6.nic.br/ .

Conheça outras vantagens

Além do benefício da performance aos usuários para quem já adota IPv6 em seu servidor de hospedagem, há uma série de vantagens que podem ser interessantes a longo prazo como:

  • Largo espaço de endereçamento para alcance global e escalabilidade;
  • Formato de cabeçalho simplificado para otimização de entrega de pacote;
  • Arquitetura hierárquica de rede para um roteamento eficiente;
  • Suporte aos atuais protocolos de roteamento;
  • Serviços de autoconfiguração;
  • Implementação de IPSec de forma nativa;
  • Crescimento do número de endereços multicast;
  • Implementações para qualidade de serviço.

Como funciona a adoção do IPv6

Cada empresa de hospedagem tem sua metodologia de adoção para o IPv6 junto aos seus clientes. O que recomendamos é, caso você tiver interesse, verifique a disponibilidade em seu serviço de hospedagem e, também, quais os custos da implantação, para balancear o custo/benefício junto ao seu serviço.

Em geral, para adotá-lo, o procedimento que precisa realizar é geralmente acessar um painel ou serviço de atendimento e solicitar o IPv6. Em seguida, fazer o apontamento de DNS em um registro AAAA fornecido por sua hospedagem. Caso haja dificuldades neste processo, é interessante procurar um técnico ou suporte em relação ao serviço para realizar estes passos com efetividade.

O que saber sobre o futuro da internet com o IPv6

Existe um paradoxo em relação à adoção do IPv6: é necessário adotar pois a versão 4 está esgotada, no entanto, o baixo uso se dá pois há uma compreensão geral de que neste momento não há a necessidade e que haverá algum momento em que ocorrerá esta “virada”.

Como apresentamos anteriormente, o importante é avaliar se isto realmente vale a pena para o seu negócio no momento, principalmente para aumentar a performance e disponibilidade em seu serviço online.  Portanto, as principais questões para você analisar a longo prazo sobre o IPv6 são:

  • Performance da disponibilização do site, blog, e-commerce ou software online
  • Esgotamento do IPv4 e como ocorrerá esta transição com os provedores e serviços de hospedagem
  • Desvantagem competitiva com quem já adota

Conclusão

Neste post vimos o que é IPv6 e quais os benefícios de adotá-lo, assim como as principais diferenças com sua versão anterior, o IPv4. Agradecemos sua atenção e leitura!

Se gostou, compartilhe com seus colegas e amigos! Caso tenha alguma dúvida que não tenha sido respondida no post, por favor, deixe um comentário que estaremos dispostos à responder.

Por:

Thiago Verney é desenvolvedor web, jornalista e empreendedor na Netzei, empresa de tecnologia especializada em soluções digitais escaláveis para alavancar micro e pequenas empresas no Brasil de forma interativa e inovadora.

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